Este domingo, minha tarefa é a de ensinar nosso pequeno grupo de latinos sobre o significado e importancia de “ser real” ou “ser autêntico”. Ainda não formulei bem os detalhes e gostaria abrir este espaço nos comentários para receber algum input dos meus amigos e colegas.

Para facilitar a compreensão do contexto, vou comentar um pouco sobre o destino do tópico.

Conheçemos expressões como “cai na real”, ou, “ele/ela está iludido/a”, ou “foi uma desilusão”. Creio que cada um de nós, de uma maneira ou outra tenta escapar das realidades que nos desagradam, e ao mesmo tempo almejamos no nosso íntimo um espaço onde podemos ser autênticos (ser nós, sem temer rejeição).

Um exemplo: semana retrasada, um amigo veio e pediu para conversar comigo. Ele não aguentava mais a pressão psicológica em sua vida, e decidiu abrir o jogo sobre o estado decadente de seu matrimônio. Aos poucos ele foi se abrindo aos seus amigos, compartilhando que o divórcio parece ser a unica opção (e tristemente, tenho que concordar com ele). Depois de uns dias e de ter falado com varias pessoas, ele veio para mim para compartilhar quão aliviado ele se sentia por não ter mais essa pressão de sentir que estava fingindo algo diante de nós, e em especial por ter (para sua surpresa) encontrado todas pessoas apoiando ele (chocadas, mas apoiando ao invés de rejeitando, ou jogando pedras como ele temía).

Então em tuas palavras, qual é a necessidade (ou desespero) que você vê no ser humano na area de poder ser autêntico, poder cair na real (tendo em mente nossa tendencia de querer fugir da realidade, da verdade dura)?
Espero ser contexto suficiente para surgir comentários e um diálogo. Antes do fim de semana espero poder colocar aqui na Roda de Chima um esboço basico do ensinamento que irei compartilhar domingo.

4 Comentários to “O que é “ser real” ou “ser autêntico”?”

  1. amaiaon 30 Aug 2006 at 5:47 pm

    Caro felipao

    Certa vez, em um seminário voltado à qualidade na gestão empresarial, assisti a uma palestra, naquele momento inusitada.

    O palestrante, Roberto Cunha, contou a história de sua vida, que vou resumir muuuuito aqui:

    Ele era diretor financeiro de um grupo, cujo negócio é adquirir empresas em dificuldades financeiras, sanea-las, para depois vende-las.
    Dá para imaginar o quanto são difíceis e muitas vezes dolorosas as decisões que um diretor financeiro nesta situação deve tomar.

    Um belo dia ele jogou “tudo para o ar”, incluindo sua alta remuneração e decidiu “ser autêntico”.

    Para ele “ser autêntico” significa viver e ganhar a vida fazendo o que mais gosta. Defende a tese: quem faz o que gosta, sempre será melhor em sua profissão, seja ela qual for, do que a grande maioria dos praticantes da profissão.

    Como conseqüência, será reconhecido como ótimo profissional e vencerá a maioria dos desafios que lhe apresentarão. E o mais importante: será feliz!

    Não sei se era isto que voce procurava como subsídio, mas com certeza, o Roberto Cunha poderá acrescentar muito a estas palavras. Tente contato com ele no email
    roberto@robertocunha.com.br
    Ele costuma ser rápido no gatilho…

    um abraço

    amaia
    Algodão SS

    PS: Acho que vou conseguir ganhar alguns cents hoje, por aqui, hehehehe

  2. Felipãoon 30 Aug 2006 at 5:59 pm

    Fala Amaia! Agora fiquei com medo que vou ficar mais pobre, hehe.

    Muito interessante este relato do Roberto Cunha. Me parece que este caso representa a necessidade do ser humano ter liberdade para ser quem a pessoa é. Aquela velha história dos pais terem um sonho para os filhos, quando na verdade os filhos precisam descobrir quem são e ser “autenticos” com quem são - não com as expectativas de outros. Seria esta a idéia?

    Nestes termos, você acha que existem muitas pessoas que estão presos na sociedade das expectativas, vivendo com máscaras, mas no fundo morrendo de desgosto? O que fazer para ajudar este tipo de pessoas?

  3. amaiaon 30 Aug 2006 at 6:14 pm

    Isso. Mas não só os pais. A sociedade exige que as pessoas tenham sucesso. Ainda que (no caso dele) fazendo o que odeiam, porque resulta em uma gorda conta bancária.
    Isso traz infelicidade, ou desgosto.

    O Roberto entende que as contas bancárias também crescerão, não necessariamente na mesma proporção, quando as pessoas estiverem realizando trabalhos que lhe tragam prazer.
    Estes trabalhos muitas vezes derivam do principal hobby das pessoas.

    E a questão principal é a “possibilidade de voltar para casa assobiando sua canção favorita ao final do dia”.

    Evidentemente, eu só ouvi o Roberto Cunha e o que ele me disse tocou-me profundamente, por isso a minha sugestão de que voce fale com ele.

    Como é um entusiasta de sua concepção de vida, tenho certeza que lhe atenderá.

    amaia

  4. Sylvio d Orsion 03 Sep 2006 at 9:39 am

    Estava lendo as revistas semanais, agora de manhã e deparei com algo que me lembrou este post.

    A Revista Época está tentando eleger o Maior Brasileiro de todos os tempos e entrevistando pessoas importantes para saber seus eleitos.

    Um deles, o Antropólogo Roberto da Matta - “É um dos principais estudiosos da cultura do país” - deu seu palpite:

    - “Joaquim Nabuco. Foi o primeiro homem público de prestígio a ter a percepção do peso cultural da escravidão. Adoro sua frase: “Acabar com a escravidão não basta, é preciso destruir a obra da escravidão”. Além disso era um sujeito autêntico”.

    Numa época em que neste país está virando moda legalizar o informal, o clandestino, o imoral e a esmola. Onde nunca valeu tanto o provérbio do “Ensinar a pescar ao invés de só dar o peixe”, este discurso caiu como uma luva.

    Cnheço pouco do Joaquim Nabuco, mas como acabo de aprender com o Roberto da Matta, era alguém preocupado com o além de dar a penada que aboliu a escravidão no Brasil.

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